Mini E-book – Deus e as Eleições

A Vontade Permissiva

Autor: W S Dias
Editora: MediaService
Canutama-AM | 2026
Primeira Edição


“Todos devem sujeitar-se às autoridades governantes, pois não há autoridade que não venha de Deus; as autoridades que existem foram estabelecidas por Deus.”

Romanos 13:1 (NVI)


APRESENTAÇÃO

Caro leitor, a cada eleição o país se divide, as vozes se elevam e, em meio ao barulho, muitos cristãos se perguntam em silêncio onde Deus está quando as urnas se fecham e o resultado não é o esperado. Este pequeno livro nasceu dessa inquietação e não pretende indicar candidatos, nem tomar partido, nem oferecer respostas fáceis; seu propósito é conduzir você, com a Bíblia aberta, a uma pergunta mais profunda do que “quem venceu?”, a saber: o que significa afirmar que Deus governa a história quando os homens têm o direito de escolher? Caminharemos juntos por três capítulos, e talvez você perceba, ao final, que a reflexão sobre os governantes termina por apontar para o espelho.


DEDICATÓRIA

A todos que oram por seu país com os joelhos dobrados e o coração honesto, sabendo que nenhuma urna substitui o trono de Deus.


INTRODUÇÃO

Poucas coisas revelam tanto o coração de um povo quanto o dia em que ele escolhe quem o governará, e poucas coisas inquietam tanto a consciência de um cristão quanto o dia seguinte, quando a contagem termina e o nome vencedor não é aquele que ele esperava. Surgem então perguntas que raramente confessamos em voz alta: se toda autoridade vem de Deus, por que ele permite governantes injustos, corruptos ou cruéis? Seria Deus o autor de cada decisão política, ou apenas um espectador distante da nossa liberdade? E, se escolhemos mal, de quem é a responsabilidade? Essas perguntas desembocam numa só, que atravessará estas páginas: como compreender a soberania de Deus sem anular a responsabilidade humana, e o que isso exige de quem vota, de quem governa e de quem apenas observa?


CAPÍTULO 1

O ESPELHO

O problema também mora dentro

Gálatas 6:7 — “Não se deixem enganar: de Deus não se zomba. Pois o que o homem semear, isso também colherá.”

Quando o resultado de uma eleição nos desagrada, o primeiro impulso é apontar para fora: os candidatos, os partidos, a mídia, os adversários. Há quem tenha motivos legítimos para indignação, porém a Escritura nos conduz a um caminho mais incômodo e mais honesto. A Bíblia ensina que a vontade de Deus se manifesta de duas maneiras: há aquilo que ele determina diretamente para cumprir seus propósitos soberanos, e há aquilo que ele permite quando respeita as escolhas dos homens, ainda que essas escolhas contrariem os seus mandamentos. A primeira é a vontade diretiva, também chamada decretiva; a segunda é a vontade permissiva. Ao longo da história de Israel, o povo pediu um rei como as demais nações tinham, e Deus, embora advertisse sobre as consequências, permitiu que o pedido fosse atendido. Os homens escolheram, Deus permitiu, e a colheita veio na medida da semeadura. Eis o ponto que raramente queremos encarar: o governante que as urnas entregam não surge do nada, mas emerge de uma sociedade, e toda sociedade é feita de pessoas com seus interesses, suas omissões e seus votos dados por conveniência, por ressentimento ou por simples indiferença.

Por isso o princípio de Gálatas não se aplica apenas a indivíduos, mas também a povos inteiros: o que se semeia, colhe-se. O voto é uma semente, e suas consequências são de responsabilidade de quem o deposita, de modo que o resultado final das urnas expressa, em certo sentido, a soberania de Deus ao permitir que a colheita social seja proporcional às escolhas do povo. Jesus perguntou por que reparamos no cisco do olho alheio sem notar a viga que está no nosso, e a pergunta serve tanto ao eleitor quanto ao político. Quantas vezes reclamamos da corrupção de quem governa e toleramos, em pequena escala, a mesma desonestidade em casa, no trabalho e nos acordos silenciosos do cotidiano? Quantas vezes cobramos justiça dos outros e a negamos a quem convive conosco? A crise que enxergamos nas instituições é, muitas vezes, a ampliação de uma crise que mora no coração humano, e enquanto olharmos apenas para o palanque, deixaremos de olhar para o espelho.


CAPÍTULO 2

GRAÇA SOBERANA

Deus permite, mas não abandona

Romanos 13:1-2; Daniel 2:21

Seria um erro ler Romanos 13 como se Deus aprovasse cada ato de quem governa. Paulo escreveu essas palavras sob o domínio de Roma, num império que mais tarde perseguiria os cristãos com violência, e ainda assim afirmou que não existe autoridade que não venha de Deus. O apóstolo não está dizendo que todo governante é justo; está dizendo que nenhum governante existe fora do alcance do governo de Deus. O profeta Daniel já havia declarado que Deus destitui reis e os estabelece, e é essa a firmeza que sustenta a esperança do crente: os tronos da terra são reais, mas não são últimos. Aqui a vontade diretiva e a vontade permissiva se encontram sem se contradizer. Deus não é surpreendido por nenhuma eleição, nenhum golpe, nenhum tirano, e conduz a história rumo aos seus propósitos mesmo quando os homens escolhem caminhos que ele não aprova, sem que isso o torne autor do mal que eles praticam. A permissão divina não é omissão, porque o Senhor que permite é o mesmo que julga, corrige, restaura e, em sua paciência, continua a chamar.

Essa paciência é a forma como a graça se manifesta na história, pois, se Deus tratasse cada povo estritamente conforme as suas escolhas, nenhuma nação subsistiria. O profeta lembra que as misericórdias do Senhor são inesgotáveis e que se renovam a cada manhã, e é por causa delas que não somos consumidos. Mas a graça não se limita a adiar o juízo; ela aponta para uma resposta definitiva: “Deus demonstra seu amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores” (Romanos 5:8). Se o problema do mundo fosse apenas político, bastaria trocar os governantes, mas o problema é mais fundo, e por isso o remédio é maior do que qualquer urna. Em Jesus, Deus não ofereceu um novo sistema de governo, e sim um novo coração, pois “vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isso não vem de vocês, é dom de Deus” (Efésios 2:8). O mesmo Cristo que ocupa o trono sobre todos os reinos morreu pelos que votaram bem e pelos que votaram mal, pelos governados e pelos governantes, e é diante dele, e não diante de um partido, que cada consciência será finalmente chamada a responder.


CAPÍTULO 3

CIDADÃOS TRANSFORMADOS

A fé que alcança as urnas

1 Timóteo 2:1-2

Quem compreende que Deus governa e que o homem responde por suas escolhas já não pode votar com a leviandade de quem acredita que nada depende dele. A verdade bíblica começa por transformar o pensamento: o cristão deixa de depositar em um candidato a esperança que pertence somente a Deus e, ao mesmo tempo, deixa de tratar o voto como assunto sem importância espiritual. Ele pergunta, antes de decidir, que valores sustentam aquela proposta, que caráter aquela vida revela e que fruto aquela trajetória tem produzido, porque sabe que a justiça engrandece uma nação (Provérbios 14:34) e que sua escolha ajuda a semear o futuro de muitos. Essa transformação alcança também as atitudes, pois o crente que entendeu a graça já não consegue tratar o adversário político como inimigo a ser destruído; ele discorda sem desumanizar, debate sem difamar e perde sem amargura. Alcança ainda os relacionamentos, tantas vezes feridos por discussões que sacrificam famílias e igrejas em nome de ideologias passageiras, e as escolhas cotidianas, onde a honestidade que se exige dos governantes passa a ser praticada primeiro em casa.

Paulo escreve ao jovem Timóteo que se façam súplicas, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens, “pelos reis e por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranquila e pacífica, com toda a piedade e dignidade” (1 Timóteo 2:1-2). Isso significa que a participação do cristão na vida pública não termina na urna: ela continua de joelhos, sobretudo quando o governante é aquele que não escolhemos. Orar por quem governa não é aprovar tudo o que ele faz, mas reconhecer que somos dependentes de Deus mesmo quando as estruturas falham, e que a fé não precisa de um governo perfeito para permanecer fiel. Romanos 13 chama o cidadão à sujeição às autoridades, o que não quer dizer silêncio diante da injustiça nem obediência a ordens que contrariem a Palavra de Deus, mas uma postura de respeito, responsabilidade e consciência limpa. O cristão transformado vota com discernimento, cobra com justiça, ora com perseverança e vive com integridade, porque sabe que o primeiro território a ser governado por Deus é o seu próprio coração.


CONCLUSÃO

Começamos perguntando por que Deus permite governantes que não o honram e, ao longo do caminho, a pergunta mudou de direção: já não indaga apenas o que Deus faz com as nações, mas o que ele faz conosco, porque descobrimos que a soberania divina não nos dispensa da responsabilidade, antes nos convoca a ela. As urnas se abrem e se fecham, os governos sobem e descem, e a história segue sob a mão de um Deus que permite sem abandonar, que julga sem deixar de ser misericordioso e que, em Cristo, ofereceu a todos nós, eleitores e eleitos, a possibilidade de recomeçar. Talvez o resultado da próxima eleição não seja o que você deseja, mas você ainda poderá escolher que tipo de semente deposita em sua casa, em sua comunidade e em suas orações, e que tipo de cidadão se torna diante daquele a quem pertencem todos os tronos. A pergunta final não é quem governará o país, mas quem governa o seu coração.


REFLEXÃO FINAL

“Os governantes passam, as urnas se fecham e os resultados se esgotam, mas diante do trono de Deus cada coração responde pela semente que escolheu plantar.”


SOBRE O AUTOR

W S Dias é infoprodutor e comunicador com foco em desenvolvimento espiritual aplicado à vida prática. Sua missão é produzir conteúdos que transformem perspectivas, fortaleçam a fé e aproximem pessoas de Deus de forma genuína, profunda e acessível.


CONTATO

✉ e-mail: wsd.dias@gmail.com


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